Capítulo 2

A rua a noite era iluminada por algumas poucas tochas e naquela idade eu já conhecia a aldeia, ia com Alfie algumas vezes vender a lã das ovelhas ou trocar por alimento. Mas à noite a rua era diferente, com um ar sombrio. Fora dos muros, como eu já vira uma vez indo com um grupo procurar lenha, era uma floresta fechada repleta de ajoncs, turfeiras, sorbiers, alguns poucos carvalhos e urzes, que eram as minhas preferidas, principalmente as de flor branca. Da floresta Alfie contava lendas, duendes, fadas e outros seres, o padre Fixar tinha o proibido de alimentar nossas mentes com essas besteiras, não adiantou, Alfie continuou a contar, desde que não contássemos ao padre. Eu gostava dessas histórias, mas as temia, não gostava das criaturas noturnas desses contos, não eram seres amigáveis.
A noite estava gelada e eu não tinha me agasalhado, mas não me importei com isso. Procurei os dois na praça principal e pelas ruas que estava mais acostumado, mas foi em vão. Depois de um bom tempo os procurando foi que os achei, perto de uma casa, embaixo da janela, pularam o muro. Fiquei os observando por um tempo sem que eles notassem minha presença. Às vezes eles olhavam pela fresta da janela e voltavam as suas posições com sorrisos que eu bem conhecia.
Aproximei-me deles um pouco mais... E mais uma vez... Cheguei mais perto, até estar já no muro. E então criei coragem para seguir os espertalhõeszinhos, pulei o portão e eles me notaram assustados. Agachei receoso e fui ao encontro deles o mais silenciosamente possível, suas expressões pasmas me avaliaram por alguns instantes, eu estava com um embrulho na estomago e um aperto no peito, ofegava como um louco. Thomas ainda parecia atordoado por eu ter estragado a sua brincadeira, no entanto Charlie voltou a sorrir naquele modo malicioso.
- O que faz aqui senhor esquisito? Veio se juntar aos baderneiros?
Não entendi se aquilo era um passa fora ou um convite, na verdade eu mesmo não sabia o que estava fazendo ali, debaixo daquela janela.
- O que estão fazendo? – foi a única coisa que consegui dizer.
- Não é da sua conta menino das ovelhas. – indignou-se Thomas, eu tinha certeza de que ele sabia meu nome, mas me chamar de menino das ovelhas lhe era mais confortável, deixando claro, de que pra ele eu jamais deveria ter aparecido.
- Ora vamos caro Thomas, deixe-o participar. – Charlie indicou para mim a janela – Vamos, dê uma olhada. Mas tome cuidado.
Olhei para os dois apreensivo, precisava ver o que tinha lá. Tomei fôlego e acalmei-me, embora a adrenalina ainda persistisse, virei de frente para a parede. E fui lentamente me erguendo para a janela, pus minha mão na borda da janela e olhei acima, era só um cômodo escuro. Olhei para os dois ao meu lado.
- Não tem nada. – sussurrei.
- Olha em baixo da janela. – Sussurrou Thomas em resposta.
Com o peito aos pulos, debrucei-me sofre a janela. Tinha uma cama abaixo e lá, tinha uma moça, senti meus olhos abrindo e o coração acelerando ainda mais. Como era linda, devia ter 13 anos ou por ai, parecia mais velha que nós, a pouca luz que vinha das tochas da rua iluminavam somente parte do seu rosto. Era a primeira garota que eu via e poderia ficar ali olhando a noite inteira, mas me puxaram pra baixo com um puxão. Acordei do transe que tinha se apoderado de mim e voltei pra baixo da janela, virando-me para a parede e me apoiando nela respirando devagar.
- Bonita não é? – comentou Charlie com um sorrisinho.
- É linda. – respondi ainda descrente do que vi.
- Charlie que descobriu, – contou Thomas animado – quando a ele tava indo chamar o padre pra missa, semana passada, quando ele chegou atrasado. Não foi Charlie?
- É, é, foi sim. Mas agora temos que ir. Já ficamos tempo demais aqui.
Naquela noite eu não dormi, excitação, queria vê-la de novo, Charlie tinha dito que faríamos de novo amanhã e que não era pra contar pra ninguém. Como se eu falasse com alguém, há!

Depois do desjejum do dia seguinte eu precisava falar com os dois. Por que nunca tinham mulheres nas ruas? Seria aquela a única? Qual era o nome dela? Ah, eram tantas perguntas. Eu tinha que respondê-las, eu tinha que saber. Naquela manhã conversavam aos cochichos do outro lado da sala, eu os observava e de vez em quando nossos olhares se cruzavam. Não precisei ir atrás dos dois, eles sinalizaram para mim quando acabaram o desjejum e lavaram o copo sujo de leite de ovelha.
Corri para terminar o meu copo e sai à procura deles, estavam no quintal de trás, em baixo de um ajoncs que florescia com pequenas flores amarelas. Fizeram sinal para que eu me aproximasse. Sentei-me em frente a eles e em nosso grupinho fechado naquela roda tive meus primeiros amigos.
Charlie era mais sério e calculista do que eu imaginara, fez-me prometer que ia guardar segredo de tudo e contou-me porque estava permitindo que eu os acompanhasse em suas aventuras, precisava de mais uma mente pensante no grupo, já que Thomas não era o que se podia chamar de muito esperto. Estiveram me avaliando esses anos também, eu era cauteloso e discreto, era perfeito para um novo integrante, desde que não os traísse e era claro que eu nunca iria contar nada, só para ver aquela garota de novo, assim, me incluíram no grupo.
Charlie se apoiou na árvore após seu pequeno discurso, ficou olhando as flores amarelas lá em cima, Thomas o imitou, eu apenas os observava, não sabia se podia os considerar amigos ainda, embora eles tenham me incluído em seu grupo. Baixei os olhos e fiquei movendo a poeira do solo seco, já era hora de começar a responder minhas perguntas.
- Por que... Por que eu nunca vi garotas antes?
Thomas me observou, mas não respondeu. Charlie continuava concentrado, parecia meditar olhando o balanço das flores ao vento.
- Porque há anos não nascem mulheres por aqui, - disse Charlie ainda meditando com suas flores – e nem em lugar algum por essas bandas. As poucas que nascem são prometidas aos pomposos nobres e ficam trancafiadas nas suas casas até o dia do casamento. – ele agora me olhava – Se tem alguma esperança de namorar uma garota, é perda de tempo. Teve sorte por ter visto uma.
Senti-me enrubescendo, era essa mesmo minha esperança. Senti a tristeza e inconformação me invadir, queria acreditar que não era verdade, mas no fundo eu sabia que era. Esperei Charlie voltar a sua meditação, não gostava do olhar dele sobre mim, embora eu não tivesse dele o que temer.
- Como sabe de tudo isso?
- Sabendo... – respondeu-me com um bocejo.
Ele então esticou as pernas para ficar mais à vontade, colocou os braços sob a nuca e pareceu dormir. Thomas me olhava de vez em quando, às vezes me sorria encabulado quando eu retribuía-lhe o olhar.
- Eu não sou tão burro quanto Charlie acha. - disse ele baixinho para mim, parecendo temer que Charlie o escutasse.
- Aposto que não. – um sorriso bobo apareceu e os olhos muito azuis de Thomas se alegraram. Percebi que eu estava sorrindo e parei. – Vamos vê-la de novo?
- Oh sim, essa noite. – sussurrou ele com uma exaltação na voz. Senti-me um pouco mais feliz, podia vê-la, mas não tê-la. Minhas emoções estavam ausentes por tanto tempo, que agora que as tinha, senti como se doía o peito, não do amor que sentia pela garota, mas pelo ódio de não poder possuí-la. Essa era minha sina.

Debaixo daquela mesma janela mais uma vez, era o quarto dia seguido que íamos vê-la, mesmo assim, sentia que era a primeira vez. Apoiamo-nos na parede para recuperar o fôlego da euforia, eu tinha esperado o dia inteiro pra isso, ultimamente eu só pensava nela. Quando saíamos na cidadela com Alfie ou outro garotos, eu evitava ao máximo olhar para a casa, mas era bem difícil, por sorte ninguém reparava no garoto das ovelhas. Ela não era tão bonita assim, tinha o nariz ligeiramente torto, sobrancelhas grossas e era mais gorda do que qualquer um dos garotos de Alfie, mas não importava, cada vez que eu a olhava sentia que ela era a coisa mais bonita que eu já tinha visto. Talvez pelo simples fato de ser uma mulher. Eu adorava vê-la dormir, sentia sua respiração lenta, a pele branca parecia neve, delicada e fria, mas dela exalava calor, meus olhos eram vidrados e ciumentos. Pois eu sabia que Charlie e Thomas a viam da mesma forma.
Nos últimos dias quando me sobrava um tempo extra eu me juntava com os dois, era estranho pra mim, ter amigos, se é que eu já os podia chamar assim. Parecia-me que eles eram indiferentes a minha presença, mas não me ignoravam. Passei a gostar da companhia deles, passei a falar um pouco mais quando certo assunto me interessava, mas continuei cauteloso. Thomas era extremamente tagarela, e piadista, parecia que até os infortúnios alheios o divertiam, às vezes chegava incomodar. Charlie costumava se divertir um bocado com as palhaçadas de Thomas, e sinceramente eu, na maioria das vezes, também.
A única coisa que me desagradava e aborrecia era o fato de Charlie algumas horas ridicularizar Thomas, não em público e abertamente, mas entre nós. Horas parecia que Thomas não ligava, ria da situação, mas eu o percebia magoado. Não entendi bem o por que de Charlie agir assim, era meio de uma hora pra outra, quando Thomas estava se divertindo Charlie o agredia. Revoltava-me por dentro. Entretanto Charlie se arrependia na maioria das vezes e se desculpava. Os dois pareciam irmãos e eu não sabia se poderia um dia fazer parte dessa relação fraternal, era como se eu fosse um intruso, vendo os dois em sua intimidade de tantos anos, as brincadeiras que eu ainda não compreendia.
Naquela noite em questão, Thomas não tinha ido, passava meio mal da última vez que o vi, mas creio que não foi bem por isso, ele e Charlie tinham brigado mais uma vez, por um motivo tolo, porém, precisavam de distancia um do outro naquele momento, eu percebia isso. Ficaria com Thomas se Charlie não fosse ver a garota, acho que Thomas precisava mais do meu apoio do que Charlie. No entanto eu não queria, de forma alguma, deixar de ver a garota.
E enquanto eu e Charlie apreciávamos aquele momento olhando pela janela, do nada, começou uma tempestade. Chovia de tal forma, que as árvores balançavam a ponto de querer cair. Temendo chegar em casa encharcados, mas sabendo que era inevitável corremos amaldiçoando nosso azar. Voltávamos correndo o mais rápido possível. Mais molhados do que peixes, eu e Charlie percebemos que já não dava mais tempo de escapar-nos. Charlie xingou e parou de correr, eu fiz o mesmo, sentei na estrada enlameada e descansei.
- Sabe, acho que o Thomas sabia da chuva.- disse eu brincando, ironicamente me divertindo com nosso infortúnio.
Charlie me sorriu, mas hesitava como se quisesse me dizer algo, me olhava repetidas vezes rápido e voltava sua atenção para adiante da estrada, então se sentou ao meu lado. Certa hora ele começou a falar baixinho e então me desabafou sobre como era incomodo e frustrante ter que cuidar de Thomas, embora não fosse literalmente obrigação dele. Assustei-me com a repentina reclamação, parecia-me que os encrencados seríamos nós se Alfie descobrisse, nós é que estávamos encrencados.
- É como se ele dependesse de mim entende, Ivã? Como se sem eu ele fosse cair em um mal... Talvez você não entenda, não é? Mas é sim... Eu me sinto sob pressão e às vezes explodo com ele por isso, mostrar pra ele deixar de ser bobo. Pra se cuidar melhor...
Ele baixou os olhos, e eu... O que eu tinha a ver com aquilo? Eu até entendi. Certamente ele tinha que se abrir com alguém. Sinto não ser a pessoa mais adequada pra ele se abrir, eu não sabia o que falar. E por incômodos momentos ficamos calados debaixo daquela chuva que parecia não parar, oscilei em falar algo, talvez falar o que eu não queria, mas o que ele precisava ouvir.
- Talvez, ao nosso lado - eu arrisquei – ele se sinta à vontade, pra ser bobo, e não se preocupe em errar, mas acho que ele pode se virar sozinho quando precisa. Ele é inteligente Charlie, tem boas idéias, é meio piadista, mas ele sabe ser esperto.
- Eu tenho medo, Ivã. – Charlie encarava-me desesperado – Somos como irmãos! E se acontecer algo com ele? E se ele se meter em confusão e eu não estiver por perto?
Era triste, sentia que Charlie se preocupava demais, mas eu o compreendia, em teoria pelo menos, eu o compreendia. E sabia o que devia dizer, embora eu não quisesse me comprometer tão depressa com os dois.
- Eu cuido dele, - disse eu – não... Não querendo assumir seu lugar... Mas... Eu cuido dele se um dia você não estiver por perto.
Ele me olhou e sorriu. Pareceu que tirei um peso de suas costas. E é claro botei nas minhas, percebi ali que tinha seriamente me comprometido, mas estava calmo, calmo por ver que Charlie sorriu em paz e me agradeceu com verdadeira gratidão, não era um teste, eles realmente confiavam em mim, talvez até mais do que eu mesmo confiava.

29 comentários:

rafaelle disse...

Muito interessante.Sempre que puder estarei aqui a ler.Adoro histórias e essa pelo que parece...é boa.
Parabéns!

Ana ® disse...

Parabéns pelo talento!

Leandro disse...

voce pensa em montar um livro?
pessoas assim vao longe,
conheça meu blog tbm de tiras!

-

Um pequeno mundo - (Novo site de tirinhas)
Job, Lob e sua turma espera sua visita!
www.umpequenomundo.com/
Twitter: @umpequenomundo
abraços!

Cássio disse...

Você tem grande chance de ter um projeto como esse aceito em uma editora.O que acha da ideia??Texto muito interessante mesmo, sucesso com o blog!
abraços

Rodz Online disse...

Tá bacana porém muito extenso e tanto a fonte qto o espaçamento bem pequenos, o que dificulta a leitura.

abçs

Bruno disse...

parabéns XD
muiito bom x]

Tunico disse...

To ansioso, esperando o próximo capítulo. Excelente história...

Tunico disse...

To ansioso, esperando o próximo capítulo. Excelente história...

Lenivaldo Silva disse...

Parabéns.
Tô ligado na história desde o prefácio.Lá onde ele quebra o espelho e faal com ele.
Muito boa a história.Mas tem uma coisinha.
Os textos estão muito longos.Ao invés de postar 1 vez por semna,divida essa quantidade e poste duas.Cansa muito o leitor,e é provado que pra blog isso não é bom..
Valeu
ate mais.


blogdolenivaldo.blogspot.com

Lina disse...

Definitivamente um blog para se ler desde o início, com cautela e muita apreciação.

Parabéns pela escrita.

Não sei se significa mto, mas ganhastes uma seguidora!

Abraço,

gritosquenaodei.blogspot.com

Euzer Lopes disse...

Faça um grande favor pra mim: entre no meu blog e lá tem várias informações (e-mail, MSN, etc) de como me encontrar.
Porque quando este livro for publicado, vou fazer questão de ter um.
Avise-me que até irei na noite de autógrafos, se ocorrer em São Paulo.

nippo disse...

meus parabens, adoro posts desse tipo, com historias envolventes e com um ótimo enredo,se caso um dia vier a publicar, sera sim um ótimo livro, parabens

Daniel Silva disse...

o texto é muito bom, mas blog não é o local para esse tipo de texto ser publicado. mesmo assim, sucesso com o blog!

Bazófias e Discrepâncias de um certo diverso disse...

Então... achei interessante tratar de um indivíduo da Idade Média com uma personalidade forte... quando pensamos neste período, quase não vemos cara nas pessoas... parabéns! siga adiante!

Henrique Alvez disse...

eeee finalmente chegou o 2º cap.
*--*
eu li tudinho e me deleitei. Estou gostando muito da maneira com que vc está construindo os personagens, estreitando aos poucos as relações novas e apresentando-nos as antigas.
Eu ñ entendia muito bem o Charlie no início, e até não gostava muito dele, mas no final, ele desabafando me identifiquei muito com arelação entre ele e o Thomas pois é exatamente assim que ajo com meu irmão :P
E a questão da garota da janela eu achei tão bnitinho aosijdoasj essa inocência que só os contos de época podem nos transmitir
^^
muito boa sua história, vizinha, estarei esperando o 3º cap ^^

kbritovb disse...

quando vi o tamanho do texto desanimei
mas depois que comecei a ler gostei
esperando continuação

Pedro disse...

Gostei muuuito , voltarei mais vezes!!

=)

Rodolfo Soares disse...

Show de bola, bastante interessante...

Quando lançar a terceira parte, dá um toque

abraços
www.borarir.com

Mabell GR disse...

Nossa muito legal, poderiar mandar para uma editora!

parabéns!

Deane Castro disse...

Voltei pra ler o primeiro capítulo, e voltarei pra ler os restantes, voce tem talento!
Quero acompanhar essa história, e não se preocupa em achar que ta grande demais, quem tem preguiça de ler, não merece estar aqui.

Abraço e sucesso!

Rodolfo Soares disse...

Opa, é uma historia de quantos capitulos?

Abraços

Vinicius Oliveira disse...

tem um grande talento voce, vou vir mais vezes ler seu blog

http://viniciusoliveiraa.blogspot.com/
comenta? me siga, vote em minha enquete

Srta Camargo disse...

To adorando a história, agora estou acompanhando todos os capítulos ^^

Tu tem mto talento, parabéns!!

abraço

=============================
http://spetaculaire.blogspot.com/

@Fakelicious disse...

Muito legal, parabéns.

Silvio Junior Wencevoski disse...

Até a parte que eu li, achei muito interessante! Adicionei o post em meus favoritos para uma leitura mais detalhada e merecida.

Parabéns pelo trabalho e pelo excelente capítulo! (já pode escrever um bom livro)

Abraços.

BLOGUEIRO EXECUTIVO disse...

BEM ROMANCEADO, BEM TRABALHADO, BEM ESCRITO, BEM EXPOSTO E BEM CONSTRUÍDO... TUDO DE BOM SEU TEXTO...

Allan Amorim disse...

Òtimo capítulo Esther!

Continuo elogiando a facilidade de leitura que seus textos nos dão. Parabéns!

E eu achando que aqui no Rio têm poucas mulheres... huasuiousoaiuoasa

Allan Amorim

Laís disse...

Nossa parabéns pelo blog!
Parabéns pelo talento!
Beijos
Sucesso!

life_teens disse...

sabe ,eu queria ser escritora ,ser aquela pessoa em que todos os dias uma pessoa vai ler a sua história
muityo daora
gamei